Sistema do Ministério do Trabalho evita fraudes no seguro-desemprego

Mais de 40 mil pedidos de seguro-desemprego têm suspeita de fraude. Ministério do Trabalho acha quadrilha que forjava demissões para desviar dinheiro dos trabalhadores. Sistema que pegou golpe vai reduzir burocracia.

Hoje é uma burocracia. O trabalhador tem que providenciar uma série de documentos para dar entrada no pedido de seguro-desemprego. A partir do ano que vem, as informações do trabalhador que perdeu o emprego serão encaminhadas automaticamente por quem demitiu para o Ministério do Trabalho – que já vai mandar uma mensagem ao desempregado, informando quando ele vai receber o benefício.

O ano de 2016 terminou com uma notícia ruim para a Júlia. Depois de um ano e meio, ela foi demitida. Trabalhava como empregada doméstica. Mas ela já percebeu que está difícil e por isso decidiu que vai tentar se sustentar a partir de agora como manicure.

“Estava meio insegura. No fim do ano, muita correria. Eu entreguei quase 30 currículos e nada”, contou Júlia Lima.

Nos próximos meses, a Júlia vai se manter com a ajuda do seguro-desemprego.

No ano passado, 7 milhões de trabalhadores que foram demitidos receberam o benefício por até 5 meses.

Mas alguns dos que pediram o seguro, tiveram o pagamento bloqueado por causa de fraudes. E não foram poucos. O Ministério do Trabalho começou a usar um sistema que cruza informações de vários órgãos: INSS, Receita, Caixa Econômica e do próprio ministério.

Encontrou 43 mil pedidos de seguro-desemprego . Desses, 7,2 mil já foram bloqueados. Quase R$ 45 milhões deixaram de ser pagos este mês.

O ministério diz que encontrou situações como a de um único trabalhador que fez seis pedidos de benefícios. É como se ele tivesse trabalhado simultaneamente em seis empresas diferentes.

Em outro caso, 280 trabalhadores que pediram o seguro tinham sido dispensados pelo mesmo empregador. E o CNPJ indicava que era uma microempresa. Acontece que microempresas não costumam ter mais que uma dezena de funcionários. O que, de cara, levantou a suspeita.

O governo acredita que os fraudadores fazem parte de grupos organizados, quadrilhas, que serão investigadas pela Polícia Federal. O cruzamento de dados vai continuar e a expectativa é bloquear mais de R$ 1 bilhão este ano.

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