Investimento bilionário – Em meio à exibição de televisores ultrafinos e robôs capazes de dobrar roupas em uma feira internacional de tecnologia em Las Vegas, a sul-coreana LG destacou que sua principal estratégia para o Brasil em 2026 está concentrada no Paraná, mais especificamente na Grande Curitiba.
Durante a CES 2026, a companhia apresentou, nesta terça-feira (6), novos detalhes sobre seus planos no país e sobre a fábrica de eletrodomésticos da linha branca que será inaugurada em julho, no município de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
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O projeto envolve um investimento de R$ 1,5 bilhão e terá, em sua fase inicial, a fabricação de geladeiras. Com área total de 770 mil metros quadrados, a planta foi projetada para produzir até 500 mil refrigeradores por ano e deve criar aproximadamente 500 vagas diretas de emprego.
A partir de 2027, a LG pretende ampliar o portfólio da unidade com a produção de máquinas lava e seca, entrando de forma mais direta em um mercado atualmente dominado por marcas como Brastemp e Electrolux.
Dados da consultoria GfK indicam que o setor brasileiro de eletrodomésticos movimenta cerca de R$ 28,5 bilhões anuais, com vendas de aproximadamente 4,8 milhões de geladeiras e 7,2 milhões de lavadoras por ano. A expectativa da LG é atingir 20% de participação no segmento de refrigeradores nos próximos anos.
“Hoje tudo o que vendemos de geladeira é importado. Quando passamos a produzir aqui, ficamos mais competitivos e conseguimos adaptar o produto ao consumidor brasileiro”, afirma Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG Brasil.
Diferenciais do Paraná
Segundo executivos da empresa, a escolha pelo Paraná foi motivada principalmente por fatores logísticos e pela cadeia de suprimentos já consolidada na região Sul, onde também estão instaladas fábricas das principais concorrentes. Incentivos estaduais e a proximidade com fornecedores completaram o conjunto de fatores decisivos.
Além da redução de custos, a produção local permitirá ajustes finos nos produtos para atender preferências do consumidor brasileiro, como alterações no design interno, sem mudanças na base tecnológica.
“Aqui você tem 110V e 220V, várias cores, capacidades diferentes. Nosso produto vai ser bivolt, o que é essencial para o varejo”, disse. “São detalhes, mas o brasileiro se incomoda com caixinha de ovo e forma de gelo soltas, com o freezer que abre de um jeito específico. A gente passou quase um ano pesquisando o consumidor antes de lançar.”
“Não adianta só produzir um produto em massa e jogar ele no mercado. Tem que entender o consumidor, como é que ele pensa, para que caminho ele vai, o que ele quer fazer”, afirma Fiani.
Atualmente, a atuação da LG no segmento de geladeiras no Brasil está concentrada em modelos importados de maior valor agregado, com preços a partir de cerca de R$ 3.000 no site da empresa. A produção nacional deve ocupar uma faixa intermediária a superior, com valores mais competitivos, embora a companhia ainda não tenha divulgado preços.
Reposicionamento e aposta no país
O investimento industrial também sinaliza um reposicionamento da LG no mercado brasileiro. Embora seja uma marca globalmente forte em linha branca, no Brasil a empresa é mais associada a televisores e aparelhos de ar-condicionado.
Hoje, a LG mantém uma fábrica em Manaus, responsável pela produção de TVs, monitores e sistemas de climatização, e já encerrou, no passado, a fabricação de celulares em Taubaté (SP). De acordo com Fiani, a nova planta não foi pensada para exportação regional e poderia ter sido instalada em países como Vietnã ou Índia antes da decisão pelo Brasil.
A empresa aposta no potencial estrutural do mercado brasileiro e projeta expansão de 12% em 2026 e de 15% em 2027. Para este ano, a LG espera um aumento sazonal nas vendas de televisores impulsionado pela Copa do Mundo, com crescimento estimado em 30% no segmento. Na sequência, deve entrar em cena o impacto do início das operações da nova fábrica.
A estratégia da companhia combina ganho de escala industrial, reforço nos serviços de instalação e pós-venda e a tentativa de ampliar o acesso a recursos tecnológicos sem empurrar os produtos para faixas de preço mais elevadas.
Além do varejo doméstico, a LG pretende acelerar sua atuação no mercado corporativo. Atualmente, a divisão B2B representa entre 15% e 20% do faturamento no Brasil, com foco em painéis de LED e sistemas de refrigeração. A meta é alcançar 50% no médio prazo.
“Se a gente não apostasse aqui, não estaria construindo uma fábrica de R$ 1,5 bilhão”, disse Fiani.
(Com informações de Bem Paraná)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)


