Imagens de visualização única são usadas para aplicar golpe no WhatsApp

Criminosos enviam arquivos com práticas ilegais e usam confirmação de leitura para extorquir vítimas

WhatsApp – Um novo tipo de golpe tem se espalhado pelo WhatsApp ao explorar um dos recursos mais populares do aplicativo: a visualização única de imagens. A prática usa esse mecanismo para atrair vítimas, gerar uma falsa prova de crime e, em seguida, aplicar extorsão por meio de ameaças.

O contato começa quando o golpista envia uma foto configurada para ser vista apenas uma vez. O conteúdo costuma ser sensível ou ilícito, envolvendo cenas de violência, pornografia ou até material relacionado a abuso. Ao abrir a imagem, a vítima ativa a confirmação de leitura, o que informa ao criminoso que o arquivo foi visualizado.

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A partir daí, a estratégia entra em sua fase mais agressiva. Em pouco tempo, o mesmo número volta a entrar em contato, agora assumindo a identidade de um delegado, advogado ou até integrante de organizações criminosas. O discurso é intimidatório: a pessoa é acusada de ter acessado conteúdo ilegal e ameaçada com denúncia, exposição pública ou até violência, caso não faça um pagamento.

Esse tipo de ataque se enquadra no que especialistas chamam de phishing com extorsão. Em vez de buscar senhas ou dados bancários, o golpista cria uma situação comprometedora e usa o medo como ferramenta de pressão. A simples visualização da imagem é apresentada como uma “prova” para justificar a cobrança, mesmo que a vítima não tenha cometido crime algum.

Sob forte estresse psicológico, muitas pessoas acabam pagando para tentar evitar problemas maiores, mesmo sabendo que foram enganadas. O medo de ter o nome associado a algo ilegal ou de sofrer represálias faz com que o silêncio pareça, para alguns, a saída mais rápida.

No Brasil, a legislação prevê punições severas para esse tipo de prática. A extorsão, quando alguém é constrangido por ameaça ou violência para entregar dinheiro, pode resultar em penas de vários anos de prisão, além de multa. Quando o golpe envolve o uso de meios digitais, como mensagens e redes sociais, ele também pode ser enquadrado como estelionato eletrônico, com penas igualmente elevadas.

Se houver invasão de dispositivos ou manipulação de dados para viabilizar o crime, outras punições podem ser aplicadas. As penas ainda podem aumentar quando as vítimas são pessoas idosas ou em situação de maior vulnerabilidade.

Além disso, golpes desse tipo frequentemente exploram conteúdos ilegais envolvendo crianças e adolescentes. A posse, o compartilhamento ou a produção desse tipo de material é crime grave, o que torna a chantagem ainda mais sensível e traumática para quem é atingido.

Para se proteger, especialistas recomendam evitar abrir mensagens de números desconhecidos, especialmente aquelas que trazem imagens de visualização única. Também é importante desconfiar de contatos que criam urgência ou fazem cobranças por aplicativos de mensagem, já que autoridades não atuam dessa forma.

Outra medida é ajustar as configurações de privacidade do WhatsApp, desativando confirmações de leitura e limitando quem pode ver informações como foto de perfil. Caso uma mensagem suspeita chegue, o ideal é bloquear e denunciar o perfil dentro do próprio aplicativo, ajudando a reduzir a atuação de contas fraudulentas.

(Com informações de Tecmundo)
(Foto: Reprodução/Freepik)

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