Internet – O ideal de uma “rede social para todos” ficou no passado. Informações recentes da Statista Consumer Insights, coletadas no fim de 2025 com mais de 13 mil entrevistados, reforçam uma percepção crescente entre especialistas: a internet deixou de ser um espaço comum e passou a se organizar em ambientes separados por faixa etária, em que diferentes gerações quase não se cruzam.
Essa ruptura aparece de forma clara no enfraquecimento do Facebook entre os mais jovens. A plataforma criada por Mark Zuckerberg, que por anos simbolizou a própria ideia de rede social, hoje é utilizada por apenas 77% da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2012). Para esse público, o Facebook ocupa apenas a quarta posição no ranking de preferência, atrás de YouTube, Instagram e TikTok.
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Entre os Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964), o cenário é bem diferente. O Facebook segue dominante, com 89% de adesão. Essa diferença acentuada alimenta o chamado “efeito clube de aposentados”: à medida que uma plataforma passa a ser ocupada majoritariamente por pais e avós, ela perde apelo entre novos usuários.
TikTok e YouTube
O distanciamento mais profundo, porém, aparece no TikTok. O aplicativo é usado por 79% da Geração Z, mas alcança apenas 20% dos Boomers. A diferença de 59 pontos percentuais evidencia uma transformação estrutural no consumo digital. Jovens tendem a priorizar algoritmos de descoberta, que entregam conteúdos de desconhecidos com base em interesses, enquanto o Facebook segue ancorado em um modelo centrado nas conexões pessoais e no que amigos publicam.
Nesse embate entre gerações, o YouTube surge como uma exceção. A plataforma de vídeos lidera entre os Millennials, com 90% de adesão, e disputa espaço em condições semelhantes ao Facebook entre os usuários mais velhos. A explicação está na flexibilidade do formato: o YouTube atende tanto ao consumo rápido de conteúdo, como tutoriais curtos e vídeos de tendências, quanto a materiais mais longos e aprofundados, como aulas, entrevistas e vídeos de hobbies.
O dilema das marcas
Para empresas e anunciantes, essa fragmentação representa um desafio crescente. Em 2026, já não faz sentido falar em “anunciar na internet” de forma genérica.
Investir majoritariamente no Facebook significa dialogar com um público acima dos 45 anos, enquanto campanhas concentradas no TikTok tendem a ignorar consumidores com maior poder de compra. A lógica da comunicação de massa perdeu força, dando lugar a um cenário marcado por bolhas digitais que raramente se sobrepõem.
(Com informações de Hardware)
(Foto: Reprodução/Freepik/sitthiphong)


