Modernização do COBOL com IA da Anthropic coloca modelo da IBM em xeque

Investidores veem ameaça ao modelo bilionário de atualização de sistemas legados, pressionando empresas consolidadas do setor

COBOL – Na segunda-feira (23), a Anthropic revelou um novo conjunto de soluções de inteligência artificial construídas a partir do Claude Code, voltadas à modernização de sistemas corporativos desenvolvidos em COBOL. O anúncio repercutiu imediatamente em Wall Street: os papéis da IBM recuaram cerca de 10% ao longo do pregão.

Para entender a reação negativa dos investidores, é necessário observar a estrutura de receitas da IBM. A companhia mantém áreas altamente rentáveis especializadas em atualizar e manter sistemas antigos de grandes empresas. Esse trabalho, tradicionalmente, depende de extensas equipes de consultores e contratos de longa duração, que garantem faturamento previsível e robusto.

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Com a novidade apresentada pela Anthropic, o mercado passou a enxergar um risco direto a esse modelo. A IA é capaz de automatizar etapas iniciais de análise que antes exigiam dezenas — ou até centenas — de especialistas. De acordo com o portal Investing.com, o temor de perda de espaço para a automação afetou também outras gigantes do setor: as ações da Accenture caíram 6,58%, enquanto a Cognizant Technology Solutions registrou desvalorização de 6,00% no mesmo dia.

O que é o COBOL e por que ele ainda sustenta operações críticas?

O Common Business Oriented Language (COBOL) surgiu no fim da década de 1950 com o objetivo de processar grandes volumes de dados administrativos, comerciais e financeiros. Mesmo com a evolução das arquiteturas tecnológicas nas últimas décadas, a linguagem continua sendo peça-chave na engrenagem da economia global.

Segundo informações publicadas pelo Investing.com, cerca de 95% das transações realizadas em caixas eletrônicos nos Estados Unidos ainda são processadas por sistemas baseados em COBOL. Diariamente, centenas de bilhões de linhas de código permanecem ativas em ambientes produtivos, sustentando operações essenciais no sistema financeiro, em companhias aéreas e em órgãos governamentais ao redor do mundo.

Grande parte dessas estruturas foi implementada antes mesmo da popularização da internet, o que dificulta a integração com plataformas digitais atuais. Soma-se a isso um problema crescente: a escassez de profissionais qualificados. Muitos dos programadores responsáveis por desenvolver esses sistemas já se aposentaram, reduzindo progressivamente o número de especialistas capazes de manter ou migrar essas bases. O resultado é um processo de atualização caro, demorado e repleto de riscos operacionais.

Automação coloca modelo tradicional de consultoria sob pressão

Até agora, a modernização de códigos acumulados ao longo de décadas dependia majoritariamente de análises manuais. A proposta da Anthropic é diminuir essa dependência logo na fase inicial, utilizando IA para examinar simultaneamente milhares de linhas de código, mapear dependências e identificar relações internas com rapidez.

A plataforma também foi treinada para gerar documentação técnica, localizar pontos de entrada dos programas, rastrear fluxos de execução e destacar possíveis vulnerabilidades. Conforme a empresa, apenas essas etapas preliminares poderiam consumir meses de trabalho quando conduzidas por equipes humanas em modelos tradicionais de consultoria.

Com a promessa de acelerar cronogramas que antes se estendiam por anos, o novo Claude Code tende a permitir que times mais enxutos modernizem sistemas inteiros em poucos trimestres. Essa perspectiva de redução drástica de tempo e custos ajuda a explicar o sinal de alerta que se acendeu no mercado financeiro diante da crescente automação no setor de tecnologia.

(Com informações de Tecnoblog)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)

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