Liderança feminina avança, mas desigualdades ainda marcam a trajetória

Liderança feminina avança, mas desigualdades ainda marcam a trajetória

Apesar de conquistas relevantes nos cargos mais altos, mulheres ainda enfrentam entraves em suas carreiras

Liderança feminina – Há cerca de três décadas, o cenário tecnológico era bastante distinto do atual. Não existiam smartphones, a inteligência artificial não era aplicada em larga escala e a digitalização ainda engatinhava em diversos segmentos. Mesmo assim, naquele momento uma oportunidade concreta de construir uma carreira em um campo que já demonstrava seu potencial transformador.

Desde então, a tecnologia avançou de maneira acelerada, e a participação feminina também acompanhou esse movimento. No entanto, os números revelam que esse progresso não ocorre de forma uniforme. Segundo o estudo Mulheres na Liderança, do Great Place To Work, o setor de tecnologia da informação passou a ocupar a segunda colocação em número de mulheres no cargo de CEO, saltando de 7% em 2022 para 16% em 2025. Trata-se de um avanço significativo, que indica maior abertura à diversidade nos níveis mais altos das empresas.

LEIA: Ameaças cibernéticas ganham velocidade e sofisticação em cenário global

Por outro lado, o mesmo levantamento evidencia uma contradição relevante: a presença feminina em cargos de liderança, de maneira geral, recuou de 43% em 2022 para 39% em 2025, apesar de uma leve melhora em relação a 2024, quando o índice era de 38%. Isso mostra que, embora mais mulheres estejam chegando ao topo, ainda há dificuldades para garantir consistência ao longo de toda a trajetória de liderança.

Esse cenário reflete experiências vividas ao longo da minha carreira. Conciliar a posição de executiva com a maternidade sempre foi um desafio, muitas vezes exigindo uma divisão quase impossível entre responsabilidades profissionais e pessoais. Em determinados momentos, sente-se a necessidade de ocultar fragilidades, como se demonstrar vulnerabilidade pudesse comprometer a credibilidade.

Era comum, por exemplo, retornar ao trabalho em período de amamentação e precisar fazer pausas discretas, em meio a reuniões importantes, para tirar leite, uma situação que, à época, sequer era discutida abertamente. Era um tabu.

Essas vivências não são casos isolados, mas refletem a realidade de muitas mulheres no mercado. A chamada “dupla jornada” segue como um dos principais obstáculos à equidade de gênero, especialmente em áreas exigentes como a tecnologia. Em muitos casos, soma-se a isso uma pressão adicional: a necessidade constante de comprovar competência em um nível superior ao dos colegas homens.

Apesar de tal contexto, muitas vezes opta-se por não limitar a carreira a rótulos de gênero. A prioridade se torna o desenvolvimento profissional, a busca por resultados e a contribuição efetiva para os negócios e para as pessoas ao meu redor. Tal opção não significa ignorar as desigualdades, mas sim não permitir que elas determinem até onde posso chegar.

Hoje, como mãe de uma adolescente de 16 anos, percebo que a próxima geração encontrará um ambiente mais aberto do que aquele que enfrentei no início da minha trajetória. O debate sobre diversidade ganhou espaço, as empresas demonstram maior consciência sobre o tema e há iniciativas voltadas à construção de ambientes mais inclusivos. Ainda assim, há avanços importantes a serem consolidados.

Para mulheres que pensam em ingressar na área de tecnologia, deixo um incentivo claro: confiem em seu potencial. Não se deixem limitar por estereótipos ou expectativas externas. A tecnologia é um dos setores mais dinâmicos da atualidade, com espaço para diferentes perfis e trajetórias.

É um campo desafiador, mas também repleto de oportunidades de crescimento e impacto. À medida que a tecnologia continua evoluindo, é essencial que essa transformação seja conduzida por vozes diversas. Mais do que ocupar espaços, é necessário promover mudanças reais dentro deles.

(Com informações de TI INSIDE)
(Foto: Reprodução/Freepik/The Yuri Arcurs Collection)

Leia mais