Trabalhadores – Um estudo detalhado realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundamentado em dados da RAIS 2023, revela um paradoxo no mercado de trabalho brasileiro: quem trabalha mais horas ganha significativamente menos. Segundo a pesquisa, sete em cada dez trabalhadores com carteira assinada cumprem uma jornada de 44 horas semanais, recebendo uma média mensal de R$ 2.627,25. O valor é 58% inferior aos R$ 6.211,00 recebidos, em média, por profissionais que atuam 40 horas por semana.
A discrepância é explicada pelo valor do salário por hora trabalhada e reflete a estrutura de ocupação no país. Em 2023, dos cerca de 44 milhões de celetistas, a carga de 44 horas predominava em 74% dos vínculos (31,8 milhões de pessoas). Em contrapartida, as jornadas de 40 horas abrangem apenas 9% do mercado (3,7 milhões), enquanto 11% trabalham até 36 horas e 3% excedem o limite de 44 horas.
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A desigualdade salarial e de tempo está diretamente ligada à qualificação. De acordo com o Ipea, os postos que exigem baixa formação formal, como operadores de máquinas, trabalhadores agropecuários e funções operacionais no comércio, concentram as jornadas mais longas, com 80% a 90% desses profissionais trabalhando 41 horas ou mais.
Entre os analfabetos ou pessoas com ensino fundamental incompleto, o índice de jornadas extensas chega a 90,9%. Esse cenário só muda de forma drástica entre profissionais com ensino superior: nesse grupo, apenas 53,1% trabalham mais de 40 horas, enquanto 47% desfrutam de jornadas de 40 horas ou menos. O estudo também associa as cargas horárias reduzidas a carreiras científicas e artísticas, que incluem médicos, engenheiros, advogados e professores.
Além da remuneração inferior, dados indicam que os contratos acima de 40 horas são marcados por maior instabilidade e rotatividade. Também foi analisado os impactos econômicos de uma eventual redução da jornada padrão para 40 horas, estimando um aumento médio de 7,84% no custo do emprego.
O impacto seria sentido de forma mais aguda em setores intensivos em mão de obra, como serviços de limpeza e vigilância. No entanto, para grandes empregadores da indústria alimentícia e do comércio atacadista, o efeito sobre os custos totais seria inferior a 1%.
Por fim, o estudo conclui que, apesar da necessidade de atenção a setores específicos, a experiência histórica sugere que o setor produtivo tem capacidade de absorver esses aumentos.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo)


