Indústria automotiva aposta em IA para acelerar design, testes e produção

Uso das ferramentas já tem reduzido o tempo de desenvolvimento de novos veículos de cinco anos para 30 meses, em média

Aposta em IA – A indústria automobilística está passando por uma transformação significativa com a incorporação de inteligência artificial em seus processos. Montadoras como GM e Nissan já utilizam tecnologias generativas e preditivas para reduzir drasticamente o tempo necessário para desenvolver novos veículos, encurtando um ciclo que tradicionalmente leva cerca de cinco anos para aproximadamente 30 meses.

Historicamente, a criação de um carro, desde o primeiro esboço até sua chegada às concessionárias, é um processo longo e caro. Agora, com o avanço da IA, esse cronograma começa a ser reformulado, abrindo espaço para lançamentos mais rápidos e maior competitividade no setor.

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Do papel ao modelo digital em poucas horas

Na GM, o desenvolvimento de novos modelos ainda começa com o traço humano, mas ganha velocidade com o uso da ferramenta Vizcom. De acordo com Dan Shapiro, designer criativo da empresa, a conversão de um desenho feito à mão em um modelo 3D completo, renderizado e animado, passou a levar apenas horas, uma tarefa que antes exigia meses de trabalho de várias equipes, conforme relatado ao The Verge.

Com o auxílio da inteligência artificial, designers conseguem criar murais dinâmicos que funcionam como guias visuais em movimento. Isso permite testar rapidamente diferentes ângulos, iluminação e cenários urbanos por meio de comandos simples, otimizando o processo criativo.

Simulações aerodinâmicas em tempo real

A aplicação da IA não se limita ao design visual. A aerodinâmica, fator crucial para eficiência energética e desempenho, também está sendo revolucionada. A empresa suíça Neural Concept utiliza redes neurais para simular a dinâmica de fluidos computacional (CFD), etapa essencial para avaliar como o veículo interage com o ar.

Os ganhos são visíveis, testes que antes levavam cerca de quatro horas agora são concluídos em minutos, previsões de resistência ao ar enquanto e design do carro são feitas instantaneamente e algumas empresas, como a Jaguar Land Rover (JLR) e a equipe Williams de Fórmula 1, já adotam a tecnologia

Software e produção mais eficientes

Nos veículos modernos, o software desempenha um papel central. A Nissan tem direcionado esforços para automatizar tarefas repetitivas, como testes unitários de código, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de carros definidos por software.

Segundo Takashi Yoshizawa, executivo da montadora, essas ferramentas não apenas aumentam a velocidade de desenvolvimento, mas também contribuem para a melhoria da qualidade final dos veículos, conforme declarou ao The Verge.

Esse movimento por maior agilidade também é influenciado pelo cenário político nos Estados Unidos. O fim de incentivos para veículos elétricos e a implementação de novas tarifas durante a gestão Trump pressionam as montadoras a adaptar rapidamente suas fábricas e motores, evitando prejuízos.

Impacto no mercado de trabalho ainda gera debate

Apesar dos avanços, o uso crescente de inteligência artificial levanta questionamentos sobre o futuro dos profissionais da área. Empresas como GM e Neural Concept defendem que a tecnologia atua como uma ferramenta de apoio, capaz de ampliar a capacidade humana e eliminar tarefas repetitivas.

No entanto, especialistas demonstram cautela. Matteo Licata, professor de design em Turim e ex-designer automotivo, acredita que o aumento expressivo de produtividade tende a impactar o número de profissionais nos estúdios de criação.

“Os empregos em estúdios de design podem não desaparecer imediatamente, mas, na minha opinião, só um tolo acreditaria que um aumento tão grande na produtividade não afetará o número de funcionários de um estúdio, de uma forma ou de outra.” Matteo Licata, professor de design na Itália, ao The Verge.

Por enquanto, segundo Shapiro, a decisão final sobre a identidade visual dos veículos ainda pertence aos designers humanos, responsáveis por definir o que caracteriza modelos de marcas como Chevrolet, Buick ou Cadillac. Resta saber se essa aceleração resultará em carros melhores ou apenas em lançamentos mais rápidos, uma resposta que o mercado deve revelar por volta de 2029.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/Frolopiaton Palm)

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