Robô – Uma nova geração de robôs humanoides começa a aproximar a ficção científica da rotina doméstica. Desenvolvido na China pela Kinetix AI, o humanoide KAI aposta em sensores táteis, movimentos naturais e inteligência artificial treinada em ambientes reais para superar desafios que ainda limitavam a atuação de máquinas dentro das casas.
Durante anos, robôs domésticos impressionaram em demonstrações controladas, mas encontraram dificuldades diante da imprevisibilidade dos ambientes reais. Objetos frágeis, espaços apertados, obstáculos inesperados e tarefas delicadas continuavam sendo barreiras até mesmo para sistemas avançados de inteligência artificial.
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O KAI foi criado justamente para enfrentar esse cenário. O humanoide mede cerca de 1,73 metro, pesa aproximadamente 70 quilos e possui estrutura desenvolvida para reproduzir movimentos humanos com alto nível de precisão.
O principal diferencial, porém, está na chamada “pele” do robô. O humanoide é revestido por uma camada sintética háptica equipada com aproximadamente 18 mil sensores táteis distribuídos pelo corpo. Esses sensores permitem detectar pressão, contato, intensidade e resistência em tempo real, fazendo com que o sistema consiga “sentir” os objetos enquanto os manipula.
Na prática, isso permite executar tarefas que exigem controle fino de força e coordenação. Segundo a Kinetix AI, o robô consegue carregar uma máquina de lavar louça, manipular itens frágeis, organizar utensílios domésticos e até passar linha em uma agulha.
Grande parte dessa capacidade está concentrada nas mãos do humanoide. Cada mão possui 36 graus de liberdade e utiliza um sistema híbrido de articulações com movimentos ativos e passivos, permitindo que o formato do aperto se adapte automaticamente ao objeto segurado.
O restante da estrutura segue a mesma proposta. O KAI conta com 115 graus de liberdade distribuídos pelo corpo, o que garante movimentos mais fluidos e complexos do que os observados em gerações anteriores de robôs domésticos.
Além da parte mecânica, a empresa também aposta fortemente no aprendizado por inteligência artificial. A Kinetix AI desenvolveu uma plataforma chamada “World Model”, que utiliza ambientes tridimensionais interativos e dados reais para treinar o sistema do robô.
O objetivo é fazer com que a máquina compreenda como pessoas, objetos e ambientes reagem no mundo real, algo considerado essencial para atuação dentro de casas, onde obstáculos, móveis, animais de estimação e mudanças constantes tornam a automação muito mais complexa do que em fábricas.
Para acelerar esse treinamento, a empresa criou ainda um wearable chamado KAI Halo, capaz de registrar movimentos humanos reais e transferir essas informações diretamente para o sistema do robô.
O lançamento do humanoide acontece em meio ao avanço acelerado da China no setor de robôs humanoides com inteligência artificial integrada. O foco das empresas chinesas já não parece restrito ao ambiente industrial: agora, a meta é conquistar espaço dentro das residências.
A convivência diária com máquinas humanoides ainda desperta estranhamento em parte da população, especialmente pela ideia de compartilhar ambientes domésticos com robôs capazes de circular sozinhos, manipular objetos e reagir ao espaço ao redor.
Mesmo assim, os avanços recentes indicam que essa realidade pode estar mais próxima do que parecia há poucos anos.
Segundo a Kinetix AI, a produção em massa do KAI deve começar ainda este ano. O preço estimado supera 30 mil euros, o que limita inicialmente o acesso ao produto. Ainda assim, o histórico recente da tecnologia mostra que dispositivos considerados caros ou inacessíveis podem se popularizar rapidamente conforme a produção aumenta.
Com isso, a indústria de robótica parece caminhar para um objetivo mais ambicioso do que simplesmente automatizar tarefas: desenvolver máquinas capazes de compreender o toque, o espaço e os pequenos movimentos do cotidiano humano.
(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific/rawpixel.com)


