Pesquisadores do Paraná criam sérum cosmético com proteína da seda

Desenvolvido por pesquisadores da UEL, produto utiliza fibroína extraída dos casulos do bicho-da-seda e já apresentou resultados positivos em testes clínicos

Paraná – Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desenvolveram um sérum cosmético produzido a partir da fibroína, proteína extraída dos casulos do bicho-da-seda (Bombyx mori). O produto foi criado durante o mestrado em Ciências Farmacêuticas de Maria Vitória Ferreira da Silva, sob orientação da doutora Audrey Alesandra Stinghen Garcia Lonni.

A iniciativa integra a terceira fase do Projeto Seda Brasil, criado em 2016 com apoio do governo do Paraná. O programa reúne universidades, a Associação Brasileira de Seda (Abraseda) e a empresa Bratac com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva da seda no estado.

LEIA: Criador do primeiro chatbot em 1966 passou décadas alertando sobre os riscos da IA

Atualmente, o setor movimenta cerca de 2 mil pequenos e médios produtores rurais distribuídos em 176 municípios paranaenses. “A equipe trabalha em diversas frentes, como o melhoramento genético das larvas, aumento da resistência dos casulos e suplementação alimentar dos bichos-da-seda”, explica a coordenadora-geral do projeto, Cristianne Cordeiro Nascimento.

Tecnologia e bem-estar

A pesquisa tem como foco a fibroína, proteína conhecida por suas propriedades regenerativas e cicatrizantes. De acordo com a professora Audrey Lonni, o formato em sérum foi escolhido por permitir absorção mais rápida e eficiente pela pele.

“As pesquisas indicam que a fibroína tem alto poder cicatrizante e ajuda na renovação da pele”, afirma Cristianne Nascimento.

Segundo os pesquisadores, o cosmético forma uma película protetora sobre a pele, contribuindo para a hidratação e melhora da textura do rosto.

Próximos passos

O sérum já passou por testes clínicos em voluntários e apresentou resultados considerados positivos pela equipe responsável. O projeto também possui pedido de patente registrado.

A próxima etapa envolve a transferência de tecnologia para que o produto possa ser comercializado. Para isso, será necessário concluir as comprovações exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela regulamentação de cosméticos e produtos de saúde no país.

Além do sérum facial, os pesquisadores também trabalham no desenvolvimento de adesivos para a região dos olhos e curativos voltados ao tratamento de queimaduras.

Na futura quarta fase do Projeto Seda Brasil, a proposta é estudar o aproveitamento da crisálida — estágio de desenvolvimento do inseto — na produção de suplementos alimentares ricos em proteínas e ômega 3.

(Com informações de Tribuna do Paraná)
(Foto: Reprodução/Magnific)

Leia mais