China inaugura fábrica onde robôs humanoides produzem outros robôs

Unidade opera com 24 etapas digitais e capacidade para fabricar 10 mil humanoides por ano, ampliando desafios para TI e Cibersegurança

Robôs humanoides – A China colocou em operação, em 29 de março de 2026, na cidade de Foshan, província de Guangdong, a primeira fábrica do planeta em que robôs humanoides são responsáveis pela fabricação de outros robôs humanoides. Desenvolvida em parceria entre a Leju Robotics e a Guangdong Dongfang Precision Science & Technology, a unidade trabalha com 92% de automação, possui 24 etapas digitais de montagem e capacidade anual de 10 mil unidades — cerca de um robô produzido a cada 30 minutos. O movimento amplia a disputa tecnológica global e acende alertas para executivos das áreas de TI e Cibersegurança.

LEIA: Governo e Câmara fazem acordo para aprovar fim da 6×1 e jornada de 40 horas

A fábrica que mudou o referencial da automação industrial

A instalação nasceu da parceria entre a Leju Robotics e a Guangdong Dongfang Precision Science & Technology. O complexo conta com 92% de automação nos processos considerados críticos, além de 24 fases digitais de montagem e 77 pontos de inspeção ao longo da produção. A estrutura foi projetada para fabricar até 10 mil robôs humanoides por ano, ritmo equivalente a uma nova unidade a cada meia hora.

Criada em 2023, a AgiBot já ultrapassou 5.100 entregas apenas em 2025 e recentemente alcançou a marca de 10 mil robôs produzidos. A escalada ocorreu em velocidade acelerada: a empresa levou dois anos para fabricar o primeiro milhar e apenas mais três meses para multiplicar o volume por dez. Já a Unitree Robotics informou mais de 5.500 entregas em 2025 e trabalha em um IPO estimado em US$ 610 milhões na Bolsa de Xangai.

O cenário econômico chinês também reforça esse avanço. O 15º Plano Quinquenal da China, válido entre 2026 e 2030, colocou robótica e inteligência artificial entre as prioridades estratégicas do país. A meta oficial é concluir a modernização industrial até 2035. Para sustentar esse processo, o governo chinês prepara investimentos estimados em US$ 400 bilhões em robótica somente em 2026, incluindo integração de linhas produtivas com a indústria de veículos elétricos.

Números que redefinem o equilíbrio tecnológico global

Os indicadores reforçam a dimensão da liderança chinesa. Em 2023, o país instalou 276.288 robôs industriais, o equivalente a 51% de todas as instalações globais naquele ano. Em 2025, a participação aumentou ainda mais: a China concentrou mais de 80% das instalações mundiais de robôs humanoides e mais da metade do mercado global de robôs industriais, segundo dados publicados pela revista TIME.

O custo de fabricação dos humanoides também caiu rapidamente. Em apenas 12 meses, os preços recuaram 40%, percentual bem acima das estimativas do Goldman Sachs, que projetavam redução entre 15% e 20%. O Morgan Stanley calcula que esses equipamentos deverão custar entre US$ 15 mil e US$ 50 mil até 2035. Já a Zheshang Securities prevê que a produção chinesa pode alcançar 2,1 milhões de unidades anuais até o fim da década.

No ambiente industrial, os ganhos já aparecem de forma concreta. Na fábrica da CATL, maior fabricante de baterias do mundo, robôs da Spirit AI atuam em linhas de montagem com taxa de sucesso de 99% nas operações e produtividade até três vezes superior à de trabalhadores humanos nas mesmas tarefas.

O impacto direto para TI e Cibersegurança corporativa

Para líderes de tecnologia, a expansão chinesa na área de robôs humanoides vai além da indústria manufatureira. O avanço representa um alerta operacional em pelo menos cinco áreas estratégicas.

A primeira delas envolve a ampliação da superfície de ataque. A presença de milhares de robôs conectados em redes industriais IIoT cria novos pontos de vulnerabilidade em ambientes OT e ICS, segmentos que muitos frameworks de segurança ainda não conseguem proteger de forma adequada. Cada novo robô integrado à operação funciona como mais um endpoint potencialmente exposto.

Outro ponto crítico envolve soberania de dados. Robôs humanoides produzem enormes volumes de informações de movimento e operação usados para treinar modelos VLA — Vision-Language-Action. Esses dados se transformam em ativos estratégicos valiosos e em possíveis alvos de espionagem industrial. Na prática, quem domina os dados de treinamento amplia sua vantagem competitiva.

Também cresce a preocupação com a cadeia de suprimentos de software. A integração de plataformas como Alibaba Cloud, Huawei e modelos de linguagem como o Qwen aos sistemas robóticos levanta discussões sobre dependência tecnológica e possíveis vulnerabilidades em infraestruturas críticas. Estados Unidos e União Europeia já avaliam restrições ao acesso chinês a chips avançados de IA e sistemas de controle robótico.

Outra consequência aparece no mercado de trabalho especializado. A demanda por profissionais de Cibersegurança com conhecimento em robótica, ROS (Robot Operating System), inteligência artificial embarcada e protocolos industriais cresce rapidamente. Empresas que não investirem na formação desses especialistas nos próximos 18 meses poderão enfrentar déficits importantes de qualificação.

A geopolítica também passou a influenciar diretamente as estratégias de compliance. Em abril de 2026, a State Grid Corporation of China anunciou um plano de US$ 1 bilhão para implementar robôs humanoides na manutenção autônoma da rede elétrica nacional. À medida que infraestruturas críticas passam a depender de sistemas autônomos produzidos por poucos fornecedores, as discussões sobre soberania tecnológica e resiliência operacional deixam de ser apenas teóricas.

(Com informações de Itshow)
(Foto: Reprodução/Magnific)

Leia mais