Cirurgiões plásticos – Pacientes têm chegado a clínicas de cirurgia plástica levando imagens produzidas por inteligência artificial como modelo ideal para procedimentos estéticos, segundo reportagem do Business Insider. Se antes as referências vinham de revistas de moda e fotografias de pessoas reais, agora ferramentas generativas como ChatGPT e Gemini passaram a influenciar diretamente a percepção estética de parte dos pacientes.
Levantamento da Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial mostrou que 72% dos cirurgiões plásticos faciais entrevistados já atenderam pessoas interessadas em operar o rosto exclusivamente para melhorar a aparência em selfies e retratos digitais. Para especialistas, a popularização da IA generativa intensificou a procura por um padrão artificial de beleza que a dermatologista Westbay define como aparência de “boneca inflada”.
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Entre as alterações mais frequentes solicitadas estão mandíbulas com proporções geometricamente inviáveis, lábios excessivamente volumosos e olhos fora de escala, ignorando características fisiológicas e étnicas dos pacientes. Médicos alertam ainda que tentativas de reproduzir pontas de nariz idealizadas por imagens geradas por IA podem comprometer as vias respiratórias após a cicatrização.
Um estudo publicado em 2024 pelo Beth Israel Deaconess Medical Center reforçou a percepção dos profissionais da área. A pesquisa concluiu que pacientes habituados a utilizar ferramentas de aprimoramento visual por IA chegam aos consultórios com expectativas “significativamente mais altas” sobre os resultados das cirurgias, muitas vezes incompatíveis com os limites técnicos dos procedimentos. Com o avanço acelerado das plataformas generativas entre 2024 e 2026, especialistas acreditam que esse comportamento tenha se intensificado ainda mais.
A americana Daina Jenkins, de 60 anos, passou por um lifting facial e não ficou satisfeita com o resultado inicial. Ela recorreu ao ChatGPT para imaginar uma possível correção estética e recebeu uma versão digitalizada de si mesma com pele extremamente lisa, mandíbula de modelo e lábios incompatíveis com suas feições reais. A clínica informou que aquele resultado não poderia ser reproduzido cirurgicamente. Meses depois, Jenkins afirmou ter se adaptado e aprovado o aspecto natural obtido no procedimento.
“Os corpos não são de argila. Existem sistemas fisiológicos e órgãos que precisamos proteger”, disse Steven Williams, cirurgião plástico da região da Baía de São Francisco e ex-presidente da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, ao veículo de comunicação americano. “Pixels são mais fáceis de manipular do que cirurgia.”.
(Com informações de Hardware.com.br)
(Foto: Reprodução/Magnific)


