IA analisa relatos sobre Ozempic e similares e identifica efeitos pouco discutidos
IA analisa relatos sobre Ozempic e similares e identifica efeitos pouco discutidos - (Foto: Reprodução/Magnific/anilorac)

IA analisa relatos sobre Ozempic e similares e identifica efeitos pouco discutidos

Pesquisa utilizou IA para analisar mais de 410 mil publicações de usuários de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro em fóruns online

Ozempic – Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro ganharam popularidade mundial nos últimos anos impulsionados pela promessa de perda de peso rápida, ampla divulgação nas redes sociais e adesão de celebridades. Diante do uso crescente desses tratamentos, pesquisadores passaram a investigar um aspecto ainda pouco explorado: os relatos espontâneos feitos pelos próprios pacientes fora do ambiente clínico.

Pesquisadores da University of Pennsylvania recorreram a fóruns do Reddit para analisar experiências compartilhadas por usuários de medicamentos da classe GLP-1. Com auxílio de modelos avançados de inteligência artificial, semelhantes aos utilizados em chatbots modernos, a equipe processou mais de 410 mil publicações feitas entre 2019 e 2025.

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O estudo envolveu cerca de 67 mil usuários que relataram efeitos colaterais, dúvidas e dificuldades relacionadas ao uso dos medicamentos. A IA foi treinada para interpretar o contexto das mensagens, diferenciar relatos pessoais de comentários genéricos e identificar padrões clínicos considerados relevantes pelos pesquisadores.

Os sintomas gastrointestinais mais conhecidos, como náusea, vômito, diarreia e constipação, apareceram com frequência esperada. No entanto, o estudo identificou outros relatos que chamaram atenção da equipe por aparecerem repetidamente nas conversas online.

Entre os sintomas mais mencionados estavam ansiedade, insônia, alterações de humor e episódios de angústia intensa durante o tratamento. Segundo os pesquisadores, aproximadamente 13% dos relatos sobre efeitos colaterais incluíam sintomas psiquiátricos ou ligados ao estado emocional.

Muitos usuários também descreveram sensação de inquietação mental, dificuldades para dormir e mudanças emocionais inesperadas após o início do uso dos medicamentos. Outro ponto observado pela equipe foi a frequência de relatos envolvendo irregularidades menstruais em mulheres em idade fértil.

De acordo com os autores, esse tipo de alteração recebeu pouca atenção nos estudos clínicos iniciais porque poucas mulheres dessa faixa etária participaram das pesquisas originais. Além disso, usuários relataram episódios de calafrios, ondas repentinas de calor e sensações térmicas incomuns sem relação direta com a temperatura ambiente.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo não comprova relação causal direta entre os medicamentos e os sintomas relatados. A análise funciona como um sistema de alerta baseado em experiências espontâneas compartilhadas online pelos pacientes.

Ainda assim, o trabalho reacende discussões sobre as limitações dos ensaios clínicos tradicionais. Os estudos usados para aprovação de medicamentos costumam acompanhar grupos específicos de pacientes em ambientes controlados e por períodos determinados.

Pessoas com múltiplas condições médicas, histórico psiquiátrico complexo ou uso combinado de medicamentos frequentemente ficam fora dessas pesquisas. Além disso, os estudos de Ozempic e Mounjaro priorizaram indicadores metabólicos, como perda de peso, controle glicêmico, pressão arterial e risco cardiovascular.

Questões relacionadas à saúde mental, alterações menstruais e sintomas emocionais não estavam entre os principais objetivos dessas análises iniciais. Para os pesquisadores, a inteligência artificial pode ajudar a ampliar a farmacovigilância pós-mercado ao utilizar redes sociais como ferramenta complementar para identificar sinais de segurança de forma mais rápida.

Os autores também reconhecem limitações no próprio levantamento. Usuários que enfrentam efeitos negativos tendem a publicar mais relatos online, o que pode influenciar a percepção sobre a frequência real desses sintomas.

Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que a análise mostra como a experiência cotidiana de milhões de pacientes pode revelar detalhes que os testes clínicos tradicionais nem sempre conseguem captar completamente.

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(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific/anilorac)

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