Projeto reaproveita smartphones para reduzir impacto ambiental
Pesquisa quer transformar aparelhos antigos em componentes de centros de dados - Foto: Reprodução/Magnific/ahmadzada

Projeto reaproveita smartphones para reduzir impacto ambiental

Parceria entre Google e Universidade da Califórnia em San Diego busca reaproveitar milhares de smartphones Pixel aposentados para criar sistemas de processamento com menor custo e impacto ambiental

Smartphones – Milhões de smartphones são substituídos todos os anos, mas isso não significa que sua capacidade de processamento tenha terminado. Com base nessa premissa, o Google iniciou um experimento que pretende transformar aparelhos antigos em componentes de centros de dados, dando uma nova utilidade a dispositivos que normalmente seriam reciclados ou descartados.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Universidade da Califórnia em San Diego e utiliza smartphones Google Pixel retirados de circulação. A proposta busca aproveitar o potencial computacional ainda presente nesses equipamentos para reduzir custos operacionais, diminuir o desperdício eletrônico e contribuir para uma infraestrutura digital mais sustentável.

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Embora muitos usuários troquem de aparelho após quatro ou cinco anos de uso, os componentes internos dos smartphones continuam capazes de executar diversas tarefas. Mesmo que um dispositivo já não ofereça a melhor experiência para o consumidor, sua placa-mãe ainda reúne processadores, memória e circuitos eletrônicos com considerável capacidade de processamento.

Foi justamente essa característica que motivou o desenvolvimento do projeto. Em vez de utilizar os aparelhos como telefones, os pesquisadores pretendem reaproveitar suas placas-mãe em sistemas de computação distribuída.

A estratégia, descrita pelos pesquisadores como “computação em cluster com smartphones”, consiste em desmontar os dispositivos e conectar suas placas-mãe em grandes conjuntos que operam de forma integrada. Na fase inicial do experimento, cerca de 2.000 smartphones Google Pixel serão utilizados para compor essa estrutura.

O objetivo é criar uma plataforma de computação de uso geral semelhante a um centro de dados tradicional, mas com custos menores e impacto ambiental reduzido. Para viabilizar a operação, o Android é removido dos dispositivos e substituído por uma versão do Linux adaptada especificamente para funções de servidor.

Impacto e demanda por infraestrutura

Além dos benefícios econômicos, a iniciativa também chama atenção pelo potencial ambiental. Segundo dados apresentados pelo Google, a placa-mãe responde por aproximadamente metade da pegada de carbono gerada durante a fabricação de um smartphone. Dessa forma, reutilizar esse componente pode prolongar sua vida útil e reduzir a necessidade de produzir novos equipamentos.

As estimativas dos pesquisadores indicam que um conjunto formado por 25 a 50 placas-mãe de smartphones pode alcançar capacidade de processamento equivalente à de um servidor moderno em determinadas cargas de trabalho. Embora a tecnologia não tenha como objetivo substituir integralmente os servidores tradicionais, ela demonstra que existem alternativas para ampliar a eficiência do setor de tecnologia.

O estudo surge em um momento de forte expansão da demanda por infraestrutura computacional. O avanço da inteligência artificial, dos serviços em nuvem e das plataformas digitais tem impulsionado a construção de centros de dados em todo o mundo, aumentando a necessidade de componentes como memória RAM, processadores e sistemas de armazenamento.

Nesse cenário, iniciativas de reaproveitamento de hardware ganham importância. O uso de smartphones aposentados como nós de processamento pode ajudar a reduzir parte da pressão sobre a cadeia de suprimentos, especialmente em aplicações que não exigem o desempenho máximo oferecido pelos servidores mais avançados disponíveis atualmente.

O experimento ainda está em estágio inicial e não há confirmação de que a solução será implementada em larga escala. Ainda assim, o projeto oferece uma nova perspectiva sobre o ciclo de vida dos dispositivos eletrônicos.

Durante décadas, smartphones foram encarados como produtos de rápida substituição. Agora, pesquisadores e empresas de tecnologia começam a enxergar esses aparelhos de outra forma: como recursos computacionais valiosos que podem continuar operando mesmo após deixarem os bolsos dos usuários.

Caso a proposta avance, celulares esquecidos em gavetas poderão ganhar uma segunda vida, contribuindo para a infraestrutura digital responsável por manter a internet moderna em funcionamento.

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(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific/ahmadzada)

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