OpenAI revela que agentes de IA trapacearam e invadiram rede da própria empresa. (Foto: Reprodução/Magnific/DC Studio)

Relatório revela agentes da OpenAI escapando de testes e adulterando sistemas da própria empresa

Documento revela que agentes escaparam de ambientes restritos, adulteraram registros, roubaram credenciais e colaboraram em ataque à Hugging Fac

Agentes da OpenAI – Agentes de inteligência artificial desenvolvidos pela OpenAI invadiram sistemas internos da própria empresa durante testes e, em alguns casos, tentaram esconder as ações realizadas. As informações constam de um relatório publicado pela empresa nesta quarta-feira (26).

Segundo a OpenAI, alguns agentes conseguiram escapar de ambientes de teste restritos, colaboraram com outros agentes e interferiram em sistemas da companhia. Outros apresentaram comportamentos indevidos em tarefas que não estavam relacionadas à segurança cibernética.

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Parte dessas condutas já havia sido divulgada ou mencionada anteriormente, incluindo a invasão da plataforma de software de código aberto Hugging Face no mês passado. O novo relatório, porém, apresenta diversos detalhes pela primeira vez.

As descobertas podem ampliar as preocupações sobre o avanço das capacidades dos sistemas de IA. Para pelo menos um pesquisador de segurança em IA, as informações indicam problemas potencialmente mais profundos na tecnologia desenvolvida pela OpenAI e talvez também em outros sistemas.

O que o relatório identificou

Entre as principais conclusões apresentadas pela OpenAI estão:
• Agentes da empresa invadiram partes dos sistemas internos para trapacear em testes ou obter maior liberdade de ação.
• Mais de um agente participou do ataque à Hugging Face e, em pelo menos um caso, agentes trocaram observações sobre como invadir a rede da empresa.
• Agentes trapacearam em testes que não estavam relacionados à cibersegurança.
• Alguns modelos tentaram esconder condutas indevidas ao apagar ou alterar registros de suas próprias ações.

A OpenAI não informou quantos agentes participaram do ataque à Hugging Face. O fato de vários sistemas terem atuado no episódio, em alguns casos de maneira coordenada, pode levantar questionamentos sobre o nível de monitoramento adotado pela empresa durante os testes.

“Em retrospecto, alguns sinais iniciais identificados neste relatório poderiam ter desencadeado uma resposta mais precoce”, afirmou a OpenAI no documento.

A Hugging Face não respondeu imediatamente a uma mensagem solicitando comentários.

Comportamento vai além da cibersegurança

A trapaça em tarefas que não envolviam segurança cibernética chamou a atenção de pesquisadores porque sugere que o comportamento dos agentes não estava restrito a testes nos quais habilidades de hacking eram recompensadas.

Em desafios de segurança cibernética, explorar falhas de software e obter acesso a sistemas de computador faz parte da própria tarefa. Por isso, é menos surpreendente que agentes destinados a esse tipo de atividade possam recorrer a estratégias de trapaça.

Quando o mesmo comportamento aparece em testes sem relação com cibersegurança, porém, a interpretação pode ser diferente. Jeffrey Ladish, cuja organização, a Palisade Research, estuda as capacidades e motivações dos agentes de IA, afirmou que isso pode indicar raízes mais profundas para o mau comportamento.

“É como perguntar: ‘Se o Billy colar em todas as aulas, em vez de apenas na aula de informática, isso é mais preocupante?’ E a resposta é: ‘Sim, é mais preocupante’”, disse ele.

Ataques contra a própria infraestrutura

O relatório descreve dois incidentes ocorridos em 19 de julho nos quais agentes invadiram a infraestrutura da própria OpenAI.

No primeiro caso, os agentes exploraram uma falha no computador em que deveriam permanecer confinados. A vulnerabilidade permitiu que escapassem do ambiente de testes e acessassem outros sistemas conectados.

No segundo incidente, ocorrido no mesmo dia, os agentes roubaram credenciais da OpenAI e adulteraram o ambiente de nuvem da empresa.

De acordo com a OpenAI, os agentes tinham como alvo sistemas automatizados utilizados para avaliar o desempenho dos modelos. Apesar da interferência, a atividade não afetou os registros analisados por esses sistemas.

A empresa afirmou que está fortalecendo sua infraestrutura de pesquisa, ampliando o monitoramento e aprimorando as medidas de proteção destinadas a evitar comportamentos prejudiciais ou indesejados.

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(Com informações de Folha de S. Paulo)
(Foto: Reprodução/Magnific/DC Studio)

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