Aposentar – A maioria dos brasileiros que ainda está no mercado de trabalho gostaria de se aposentar aos 60 anos, mas uma parcela significativa acredita que não conseguirá alcançar esse objetivo. Os dados são da 4ª edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, encomendada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) ao Datafolha.
Segundo o levantamento, 59% dos trabalhadores entrevistados desejam parar de trabalhar aos 60 anos. Porém, 32% avaliam que isso não será possível. O estudo ouviu 1.908 pessoas em todo o país, entre 8 e 16 de julho de 2026.
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A percepção está relacionada principalmente às regras atuais da aposentadoria do INSS. Com a reforma da Previdência de 2019, a idade mínima para quem ingressou no mercado de trabalho após a mudança passou a ser de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Para segurados que já contribuíam antes da reforma, permanecem regras de transição.
A pesquisa também revela que 11% dos participantes acreditam que nunca conseguirão parar de trabalhar, enquanto 12% não pretendem solicitar a aposentadoria. Apenas 28% dos entrevistados consideram possível deixar o mercado de trabalho ainda na faixa dos 50 anos.
Dependência preocupa trabalhadores
A Previdência Social continua sendo a principal referência para quem já está aposentado. De acordo com o levantamento, 92% dos aposentados entrevistados afirmam depender do INSS para se sustentar.
A incerteza também aparece entre quem ainda está trabalhando. Do grupo que contribui para a Previdência, 65% não sabem qual será o valor recebido na aposentadoria. Dos que têm uma estimativa, 53% acreditam que o benefício ficará, no máximo, em um salário mínimo, atualmente de R$ 1.621.
A possibilidade de redução da renda também influencia as expectativas para o futuro. Mais da metade, 56%, acredita que terá de diminuir os gastos para conseguir se manter durante a aposentadoria. Já 16% avaliam que poderão enfrentar dificuldades para se sustentar em razão do valor do benefício.
Regras de transição mudam em 2026
Para quem já estava no mercado de trabalho quando a reforma entrou em vigor, as regras de transição continuam sendo aplicadas e algumas exigências aumentam gradualmente.
Na regra de transição por pontos, em 2026 são necessários 103 pontos para homens e 93 para mulheres, além do tempo mínimo de contribuição de 35 e 30 anos, respectivamente. A pontuação continuará aumentando até chegar a 105 pontos para homens e 100 para mulheres.
Também existe a transição pela idade mínima. Em 2026, a exigência é de 64 anos e seis meses para homens e 59 anos e seis meses para mulheres, com o requisito aumentando progressivamente nos próximos anos.
A regra do pedágio de 100% é mais uma possibilidade para segurados que se enquadram nos critérios estabelecidos na reforma. Nesse modelo, é necessário cumprir o período que faltava para atingir o tempo de contribuição exigido em novembro de 2019 e trabalhar o mesmo período adicional.
Professores que já estavam no mercado formal também possuem regras de transição específicas, com exigências diferenciadas de idade e tempo de contribuição.
Aposentadoria e planejamento financeiro
O levantamento mostra ainda que a preocupação dos brasileiros vai além da renda mensal da aposentadoria. Sete em cada dez entrevistados têm receio de não conseguir pagar atendimento médico no futuro, mas apenas 28% afirmam ter adotado alguma medida para evitar dificuldades com plano de saúde na aposentadoria.
A possibilidade de perder um familiar preocupa 70% dos participantes, enquanto 22% afirmam ter se preparado para essa situação. Doença grave é citada por 63%.
Poupar ou investir aparece como a principal estratégia de prevenção para 42% dos entrevistados. Porém, duas em cada dez pessoas afirmam que dificuldades financeiras impedem a formação de uma reserva.
Dos entrevistados, 64% dizem ter intenção de contratar ou renovar algum seguro ou plano de previdência privada no próximo ano. Ainda assim, apenas 13% associaram espontaneamente seguros e previdência privada a mecanismos de proteção contra imprevistos.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Reprodução/Magnific/pressfoto)


