Crise de saúde mental supera câncer e doenças cardíacas em impacto global
Crise de saúde mental supera câncer e doenças cardíacas em impacto global (Foto: Reprodução/Freepik/DrazenGizic)

Crise de saúde mental supera câncer e doenças cardíacas em impacto global

Pesquisa em 204 países mostra avanço dos casos e revela que a maioria dos pacientes não recebe tratamento adequado

Crise de saúde mental – Uma pesquisa internacional acendeu um alerta entre especialistas ao revelar a dimensão da crise de saúde mental no mundo. Segundo o levantamento, os transtornos mentais já atingem cerca de 1,17 bilhão de pessoas e se consolidaram como a principal causa de incapacidade global, ultrapassando doenças cardiovasculares, câncer e enfermidades musculoesqueléticas.

Os dados foram publicados na revista científica The Lancet e resultam de uma análise realizada em 204 países entre 1990 e 2023. Os pesquisadores avaliaram os 12 transtornos mentais mais comuns em homens e mulheres distribuídos por 25 faixas etárias, identificando uma mudança significativa no panorama da saúde global ao longo das últimas décadas.

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De acordo com o estudo, os problemas de saúde mental já representam mais de 17% de toda a incapacidade registrada no planeta. O número de pessoas afetadas praticamente dobrou desde 1990, impulsionado principalmente pelo aumento dos casos de ansiedade e depressão.

Os pesquisadores observaram que a prevalência do transtorno depressivo maior cresceu 24% desde 2019. No mesmo período, os transtornos de ansiedade registraram avanço superior a 47%, movimento que se intensificou após a pandemia.

Dificuldades no acesso a tratamento

Além do crescimento dos diagnósticos, o relatório destaca outro desafio: a dificuldade de acesso ao tratamento. Segundo a pesquisa, apenas 9% das pessoas com ansiedade ou depressão recebem um nível considerado minimamente adequado de atendimento em saúde mental.

A situação é ainda mais delicada em países de baixa renda. Em cerca de 90 das nações analisadas, menos de 5% dos pacientes conseguem acesso a tratamento suficiente. Entre os 204 países avaliados, somente um pequeno grupo, incluindo Austrália, Canadá e Países Baixos, apresenta cobertura superior a 30% para pessoas com transtornos mentais.

Os autores do estudo afirmam que o problema vai além da infraestrutura médica insuficiente. A falta de investimentos contínuos na área e a dificuldade de acesso a consultas psiquiátricas, acompanhamento psicológico e tratamentos especializados fazem com que o cuidado com a saúde mental permaneça fora do alcance de grande parte da população.

Diferenças de idade e gênero

O levantamento também identificou diferenças importantes entre grupos etários e de gênero. Adolescentes entre 15 e 19 anos aparecem entre os mais impactados pelos transtornos mentais, em uma fase da vida considerada decisiva para a formação educacional, social e profissional.

Segundo a pesquisadora Alize Ferrari, os resultados apontam um pico relevante da carga dos transtornos mentais durante a adolescência. Nessa faixa etária, ansiedade e depressão figuram entre os problemas mais frequentes.

Na infância, predominam condições como transtorno do espectro autista, TDAH, transtornos de conduta e deficiência intelectual do desenvolvimento. Nesse grupo, os meninos apresentam índices mais elevados do que as meninas.

Entre os adultos, a situação se inverte. Em 2023, aproximadamente 620 milhões de mulheres conviviam com algum transtorno mental, contra 552 milhões de homens. Os pesquisadores relacionam essa diferença a fatores como violência doméstica, abuso sexual, discriminação de gênero e sobrecarga associada aos cuidados familiares.

Os especialistas observam que mulheres frequentemente enfrentam múltiplas pressões emocionais e sociais ao mesmo tempo, o que pode elevar o risco de adoecimento psicológico ao longo da vida.

Limitações metodológicas

Apesar da abrangência dos dados, os autores reconhecem limitações na pesquisa. Isso porque 75 países, sobretudo de baixa e média renda, não dispõem de informações suficientemente completas sobre saúde mental, exigindo o uso de projeções estatísticas em parte das análises.

Os cientistas também destacam que muitos dos estudos diagnósticos utilizados foram realizados antes de 2019, o que pode significar que os efeitos mais recentes da pandemia ainda não estejam totalmente refletidos nos números atuais. Além disso, transtornos relacionados ao uso de substâncias não foram incluídos na análise principal.

Mesmo com essas restrições, o levantamento reforça a percepção de que a saúde mental passou a ocupar posição central nas discussões sobre saúde pública e qualidade de vida. Para os pesquisadores, a combinação entre crescimento acelerado dos casos e dificuldades persistentes de acesso ao tratamento indica que a dimensão real dessa crise global pode ser ainda maior do que a registrada atualmente.

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(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Freepik/DrazenGizic)

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